Filtragens Aquários

Filtragem

A filtragem é um dos fatores determinantes para o sucesso de seu aquário. É através da filtragem que teremos água limpa e de qualidade, deixando-a cristalina, inodora e habitável para peixes e plantas de todos os tipos. Classifique a filtragem como o pulmão ou coração do aquário.

Na natureza a água é renovada a todo instante, onde os resíduos são rapidamente decompostos e diluídos. No aquário, um sistema fechado e com pouca água, isso não ocorre, podendo se tornar um ambiente extremamente tóxico a curto prazo. Estes resíduos incluem a amônia liberada a partir de fezes e urina dos peixes, alimentos não consumidos e outros materiais em decomposição. Mesmo em pequena quantidade, a amônia poderá matar seus peixes rapidamente. A alimentação excessiva, muitos peixes ou peixes grandes em pouco espaço, aliado a filtragem deficiente, a probabilidade do nível de amônia subir a níveis alarmantes é real. Para tanto, você precisará de uma filtragem eficiente para manter a qualidade da água. Por isso a necessidade de se investir em uma filtragem eficiente e funcional. Podemos afirmar com exatidão que a maioria das causas de doenças e moléstias em nossos peixes ocorrem devido a problemas com a qualidade da água, portanto, não pense em economizar neste item.

Comumente recomenda-se ter uma filtros com o fluxo entre 5 a 10 vezes a capacidade total do aquário por hora (L/h), mas existem muitas variações de acordo com as espécies de peixes que possui ou tipos de filtros. Para peixes de pequeno a médio porte esta regra poderá ser utilizada, mas para peixes de grande porte, ou aquário com muitos peixes, o ideal é utilizar a vazão acima da indicada. Atente que a dimensão do filtro é igualmente importante, assim como os elementos filtrantes utilizados nele. Por exemplo, para um aquário de 200L com peixes de pequeno a médio porte, devemos ter um fluxo mínimo de 1000L/h. Se este mesmo aquário conter um pouco mais de peixes ou peixes de grande porte devemos considerar um fluxo mínimo de 2.000L/h.

É preferível sempre possuir dois filtros (exceto a opção de sump). Como exemplo, se for usar uma base de vazão de 2000L/H para seu aquário, opte por utilizar dois filtros com vazão de 1000L/H ao invés de somente um com vazão de 2000L/H, desta forma terá uma filtragem mais eficiente e caso um dos filtros pare por algum motivo, terá o outro funcionando até fazer a reposição do filtro quebrado. Ainda com relação ao fluxo da água, devemos recordar que alguns filtros como os que ficam internamente no aquário poderá ocasionar um ambiente lótico no aquário, algo não muito apreciado pela maioria das espécies tropicais, com algumas poucas exceções. E por fim, nem sempre possuir um forte fluxo indica que possui uma filtragem eficiente. Vale lembrar que as mídias filtrantes são de igual ou maior importância do que a vazão do filtro. Basicamente existem três tipos de filtragem: biológica (cerâmica), química (carvão) e mecânica (esponja, manta filtrante ou esponja filtrante).

Filtragem Biológica

ceramica

Como o próprio nome indica, é feita por bactérias que utilizam oxigênio para realizar processos como a decomposição de matéria orgânica proveniente de resto de alimentos, folhas mortas, etc.

As bactérias benéficas estão aderidas em sua maior parte em colônias fixadas em qualquer superfície que possua um mínimo de porosidade como no substrato, enfeites, plantas e mídias localizadas dentro do filtro. Elas atuam permanentemente para se ter o equilíbrio desejado em nosso pequeno ecossistema. Resumidamente elas decompõem a amônia e nitrito (letal para os peixes) em compostos menos tóxicos (Nitratos). Existe ainda uma quantidade pífia de bactérias em suspensão na água, mas estas são secundárias e praticamente com função nula no sistema de filtragem.

Plantas também absorvem amônia secundariamente. Para as bactérias benéficas sobreviverem necessitam apenas de um local para se alojarem e nutrientes (Nitrogênio e Oxigênio).

Normalmente as mídias destinadas a filtragem biológica devem ficar alojadas dentro do filtro logo após a filtragem mecânica, devido a colônia de bactérias já receber água livre de detritos maiores que são retidos pela filtragem mecânica. A filtragem biológica, como se pode observar, é vital para o aquário, no entanto, ela ocorre relativamente lenta, principalmente em aquário recém montado ou que possuem oscilações e instabilidades.

Filtragem química

carvao_ativado Este tipo de filtragem tem como objetivo eliminar substâncias a nível molecular.

Estas substâncias podem ser polarizadas (íons) e não polarizadas (moléculas). Ela é feita exclusivamente pelo carbono ativado (carvão ativado) ou similares, que retêm as moléculas através de micróporos retirando odores e gases existentes na água.

Muitos aquaristas dispensam o uso da filtragem química devido a absorção de nutrientes requeridos pelo sistema do aquário, como em aquário com plantas. Outros aquaristas são a favor do uso, devido a este esgotamento de nutrientes minerais ocorrer naturalmente com o decorrer do tempo. O fato é que variando o tipo da montagem e necessidade, o aquarista deverá analisar criteriosamente se compensará o uso.

O uso de mídias destinadas a filtragem química deverá ser suspenso enquanto estivermos administrando medicamentos ou qualquer outro elemento, como fertilizante líquido, ele absorverá de modo seletivo prejudicando podendo prejudicar o resultado esperado.

A quantidade de carvão ativado utilizado poderá variar de 1g/L a 2g/L conforme necessidade e se deve trocá-lo mensalmente ou quando notar que houve a saturação.

Alem do comum carvão ativado, existem outros materiais para a filtragem química como as resinas deionizadoras que possuem uma boa capacidade de absorver íons dissolvidos na água. Apesar de ter um custo relativamente elevado em comparação ao carvão ativado, são melhores por absorver certas substâncias no qual o carvão ativado deixa a desejar.

Atualmente também está disponível no mercado resinas renováveis, elas fazem a mesma função do carvão ativo, porém, pode-se regenerar as resinas após lavagem em água sanitária. A vantagem deste é que seu uso é prolongado. Embora possua valor mais elevado que o carvão ativo, a longo prazo acaba compensando seu uso devido sua capacidade de poder ser regenerado inúmeras vezes.

Filtragem Mecânica

perlon-aquarioAtravés deste tipo de filtragem retêm-se as partículas maiores (orgânicas e inorgânicas) suspensas na água. Geralmente é feita através de materiais como a esponja ou perlon (manta acrílica). Preferencialmente deve ser o primeiro estágio do filtro, funcionando como um coador e liberando a água mais pura para os demais processos de filtragem. Deverá trocar as estes elementos a medida que saturar, o que ocorre normalmente semanalmente ou quinzenalmente, dependendo do número de peixes que temos no aquário.

A troca deste elemento é de extrema importância, uma vez que se mantê-lo saturado de sujeira sua eficiência diminuirá drasticamente. Será mesma coisa que limpar a sala de sua casa e sempre jogar a sujeira embaixo do tapete… uma hora irá saturar e começará a surgir problemas.

Ordem de filtragem:

Como foi indicado acima, preferencialmente devemos ter o 1º estágio com a filtragem mecânica, em seguida a filtragem química e biológica ou biológica e química, de acordo com o padrão de posicionamento das mídias de seu filtro.

Alem dos três estágios indicados, podemos ainda ter seções complementares conforme a necessidade como o uso de materiais alcalinizantes, acidificantes, removedores de amônia, etc. O uso de estágios complementares depende muito do tipo de filtro usado e do espaço em seu compartimento, nunca sature seu filtro com elementos desnecessários.

Tipos de filtros

Existe no mercado diversos tipos de filtros com inúmeros modelos e marcas. Podem ser classificados em dois tipos: filtros internos e externos.

Filtros internos possuem o atrativo de terem um valor menos elevado, porém esteticamente pode não ficar agradável, além de ocupar espaço dentro do aquário. Filtros externos possuem valor mais elevado, porém com atrativos como sua fácil manutenção e espaço interno superior em alguns casos.

Abaixo os tipos de filtros mais comuns:

Filtro Biológico de Fundo (FBF)

Certamente o mais usado pelos aquaristas brasileiros, principalmente por ter um custo muito baixo e muito mais por falta de informações.

Basicamente consiste em placas de plástico que ficam alocadas embaixo do substrato. Destas placas saem torres, onde se insere uma bomba submersa ou pedra porosa acoplada a algum aerador (vulgarmente conhecido como “bombinha de ar”).

Sua filtragem é feita através do cascalho, onde as bactérias benéficas se fixam. A bomba forçará a passagem da água pelo cascalho próximo as torres, fornecendo o oxigênio e a matéria orgânica para a realização do processo biológico pelas bactérias aderidas no substrato. Muitos são contra o uso deste filtro e outros a favor, mas isso não será discutido neste artigo. O que posso indicar é que este tipo de filtro funciona, mesmo com suas limitações, mas deve-se ser utilizado por aquaristas mais experientes.

Filtro Canister

Seu nome diz tudo (canister = reservatório). Este tipo de filtro consiste em um reservatório, onde ficará alocado todos os elementos filtrantes, acomodados em prateleiras ou gavetas. O fluxo de água passará verticalmente ou horizontalmente, dependendo do tipo de canister. Certamente estes filtros são um dos melhores atualmente, o ponto negativo é seu valor proibitivo, mas que pode ser um bom investimento devido a uma grande opção de configurações que pode ser utilizado pelo aquarista conforme a necessidade do aquário.

Este tipo de filtro fica fora do aquário, ocasionando a liberação de mais espaço interno para os peixes, existem versões compactas que ficam inseridas dentro do aquário, mas ambos são excelentes.

Filtros Externos Traseiro (Hang On)

Seu nome também já indica o tipo de filtro. Funciona externamente, onde a água circula através dele e volta para o aquário por processo de gravidade ou bombeamento. É considerado o filtro de melhor custo benefício e atualmente existem diversos modelos e marcas para todo gosto e bolso. Em geral todos os modelos contêm refil contendo a filtragem química/mecânica/biológica, mas podemos personalizar a filtragem de acordo com a necessidade do aquário.

Filtros de pendurar (internos)

Filtro bastante prático para ser utilizado em aquário, principalmente como segundo filtro ou reserva em alguma emergência, ficando pendurado no vidro. Seu método de filtragem consiste em uma bomba que puxa a água do aquário, forçando a passagem pelo compartimento do filtro onde podem ser colocados diversos materiais filtrantes, retornando ao aquário.

Normalmente possui fluxo forte, atente para o seu uso quando houver peixes muitos pequenos ou alevinos que poderão ser facilmente sugados pelo filtro. Neste caso deixe a vazão regulada para um fluxo mais lento ou proteja a entrada do filtro com alguma tela ou similar, evitando que os peixes sejam sugados.

Filtros Internos

Similar aos filtros de pendurar. Como o próprio nome sugere, é utilizado internamente ao aquário onde uma bomba submersa é acoplada a um compartimento. Ela fará com que a água passe no compartimento efetuando a filtragem de acordo com a mídia filtrante utilizada dentro dele. Possui a desvantagem de ocupar espaço internamente, por isso não é recomendado seu uso em pequenos aquários.

Filtro Sump

Este tipo de filtro se baseia em um aquário reservatório adicional, onde a água do aquário principal é coletada através de gravidade ou sifonagem, passa pelo aquário reservatório formado com diversos elementos filtrantes, separados por seções, e retorna a água através de bombeamento para o aquário principal. O volume de água do aquário reservatório (tamanho) deverá ser no mínimo de 20% do total do aquário principal, quanto maior melhor.

Um dos principais aliado a este tipo de filtragem é sua facilidade de manutenção. Seu único inconveniente será se teu aquário já estiver montado, uma vez que algumas montagens com este tipo de filtro poderá exigir furos ou cortes no vidro do aquário. Recomendado principalmente para aquários de grande porte e que possuem peixes grandes.

Filtro UV

Propriamente não se trata de um filtro, mas sempre é citado como tal devido a sua eficiência na esterilização da água. Atua através da circulação de água em um recipiente, onde está alocado uma lâmpada ultravioleta. Ela emitirá radiação esterilizante eliminando células vivas (bactérias, algas, etc) que se encontram livremente na água, através da destruição do seu DNA.

Para um melhor aproveitamento da ação da lâmpada UV, devemos ter um fluxo de água lento (ex. uma lâmpada UV 15W, o fluxo deve ser entre 300 a 500 L/H). A troca da lâmpada se faz necessário em vista que ela enfraquece com seis meses de uso interrupto, se tornando cada vez menos eficiente. Seu uso não é efetivo contra bactérias azuis, petecas ou algas que aderem a objetos. Alguns utilizam interruptamente este filtro, sendo o ideal seu uso somente após o surgimento de algas em suspensão ou quando houver o surgimento de focos de doenças. Seu uso esporádico como preventivo também é uma boa alternativa, aumentando a vida útil da lâmpada UV.

Filtro Interno de Espuma

É bastante usado em baterias de aquários de lojas ou em aquários de reprodução, devido sua praticidade. É necessário o uso de um compressor de ar ou bomba submersa, onde estes ficam acoplados a espuma e efetua a filtragem mecânica e biológica. Não deve ser usado em aquários de grande porte e sua eficiência é questionável.

Considerações finais:

Existem inúmeros tipos de filtros para seu aquário, desde os mais simples até os mais sofisticados. Cada um tem sua função dentro do requisitado pelo porte de seu aquário e sua real necessidade. Temos que ter em mente que de nada adianta termos o melhor sistema de filtragem, sendo que não seguimos algumas regras básicas como:

População excessiva. Nunca superpovoe seu aquário.
Manutenção inadequada nos filtros. Tenha uma manutenção minuciosa e periódica.
Manutenção ineficiente no aquário (sifonagens e trocas parciais). Efetue sifonagens e trocas parciais semanalmente ou quinzenalmente de acordo com a necessidade de seu aquário.
Excesso de alimentos (sobras). Nunca exagere no fornecimento de rações para seus peixes e evite deixar sobras excessivas. Mais fácil você perder seu peixe pelo excesso do que pela falta de alimentos.
Lembre-se: Filtros são auxiliares na manutenção do aquário (vital), não dispensa as trocas parciais de água e sifonagens. A renovação da água, aliado a uma filtragem eficiente, dificilmente teremos problemas com doenças, amônia alta e morte de nossos peixes, evitando a desilusões com o hobby.

Aquários de grande porte são mais estáveis, sendo mais indicado aos iniciantes, uma vez que ele camuflará os erros iniciais de novos aquaristas. Portanto, quanto maior o aquário, menor sua manutenção e melhor sua estabilidade a médio prazo.

Quando efetuamos as trocas parciais (TPA), sempre devemos usar um bom condicionador para eliminar cloro e metais pesados entre outras substâncias que prejudicam qualquer forma de vida. Sempre atente nos ajustes de pH, dureza, amônia, alcalinidade/acidez e temperatura da nova água para evitar problemas. Alguns peixes são mais sensíveis a tais variações, outros nem tanto.

Pesquise qual o melhor filtro para a necessidade de seu aquário e boa sorte.

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